Ora bem! Já está disponível para download gratuito a Release Candidate do Windows 7, a nova encarnação do sistema operativo mais utilizado do planeta. Agora, uma Release Candidate não é o mesmo que uma versão final, aprovada para venda, mas supostamente anda lá muito perto…
Vamos por partes. A Microsoft – finalmente – parece estar no bom caminho. Disponibilizou versões beta do Windows 7 gratuitamente, e agora a Release Candidate; as betas têm um limite de utilização de 30 dias, após o que é necessário fazer a activação da cópia. Esta Release Candidate, por outro lado, estará totalmente operacional pelo período de um ano, após o que se tem de fazer a activação.
O download está disponível em versões 32-bit e 64-bit. Os specs são confortáveis para a maioria dos utilizadores: um processador com uma clockrate de 1GHz ou mais; 1GB de RAM; e 16GB de espaço no disco para versões 32-bit, e 20GB para 64-bit. E de preferência uma placa gráfica que suporte DirectX 9. O download é efectuado através de um applet de Java (portanto precisam de ter Java instalado), que permite resumir o “sacanço” mesmo depois de fechar o browser.
Porquê tanta generosidade, assim de repente? Bem, Fulano poderia dizer: a Microsoft finalmente abriu o seu coração, e decidiu redimir-se de décadas de malvadez e perfídia. Beltrano poderá argumentar: não, o que aconteceu foi que eles se viram pressionados pela concorrência da Apple e do Linux a demonstrar uma atitude mais aberta. Mas eu, Sicrano, digo: em boa verdade, a Microsoft continua a ser a reencarnação do Anti-Cristo, e a Apple e o Linux ocupam uma porção do mercado ínfima e ridícula por comparação com o Windows (exceptuando na área dos servidores).
O que se passou em grande parte, na minha óptica e na de outros, é que a Microsoft se tornou o seu pior inimigo. É certo que quem compra um novo computador leva quase à força com o Vista em cima, mas não tem sido assim com as empresas no geral, que se têm mostrado bastante relutantes em fazer upgrade do Windows XP para o Vista. De facto, foi esse “apego” ao XP que ajudou a sabotar o lançamento do Vista: o enorme peso da inércia dos consumidores, acentuado pelo tempo excessivo que passou entre o lançamento do XP e do Vista. Isso, e certos problemas com o próprio Vista, que deixaram muita gente com um pé atrás. Para tentar colmatar o fracasso, a Microsoft criou o Windows 7 em tempo recorde, mas agora o seu sucesso depende inteiramente da sua aceitação total pelos consumidores.
Agora, de um ponto de vista pessoal, o que é que eu acho do Windows 7?
Ainda não instalei a RC, mas experimentei a beta. Já há algum tempo que tinha a correr o Windows XP numa máquina virtual, através do belo do Virtualbox. O XP corria praticamente à velocidade nativa na máquina virtual. Tentei fazer a mesma experiência com a beta do Windows 7. O resultado? É quase tão rápido como o XP, tanto em termos de usabilidade como de operações com ficheiros. É a primeira vez que instalo uma versão do Windows que não vem, por predefinição, feia como a morte. De facto, até está bastante aceitável em termos de aspecto. Os menus foram simplificados, e o Painel de Controlo levou mais uma lavagem; mas, pela primeira vez, o gajos conseguiram tornar as coisas simples e acessíveis sem estragar tudo pelo caminho. A nível de estabilidade, mesmo tratando-se de uma beta, não notei problemas nenhuns: mesmo quando puxo por ela, a moça é sólida como uma rocha.
Provavelmente haverão milhares de bugs que serão descobertos quando a RC começar a ser utilizada em força, e inúmeros problemas com drivers, etc. Pela minha parte, o sistema tem-se aguentado estranhamente bem, e tenho todos os dispositivos de hardware a trabalhar com os drivers nativos do Windows. Repito: estou a correr uma versão beta do Windows 7 numa máquina virtual, com drivers do Windows. E mesmo assim, fiquei convencido. Vou instalar a RC numa partição à parte no velho chaço, lado a lado com o meu Linux.
Digam o que quiserem do Windows 7, que o interface é todo roubado aos pobres diabos da Apple ou do KDE, que o MacOS X e o Linux correm em x86 e que mais vale usá-los antes, etc. Tanto faz. Utilizei todas as versões do Windows que saíram desde o Windows 95. Acreditem quando vos digo que odiava a coisa ao ponto de dar cabeçadas no meu pré-histórico ecrã CRT de 14 polegadas. Namorei com o BeOS (que saudades, co’a breca!), com o FreeBSD, com o Debian, e agora assentei no Arch Linux. Não trocava o meu KDE e a minha rica linha de comandos por nada deste mundo. Mas estou feliz por a Microsoft finalmente ter produzido um sistema operativo aceitável, e moderno, até.
Agora com licença, que vou enterrar o meu velhinho e riscado CD de instalação do XP no quintal, ao lado do Pantufa e do Tareco…












Estou a ganhar coragem para criar uma partição no portátil e experimentar o Windows 7 também. O que mais me fascina, é o críticos do Windows VISTA estarem admirados com a consistência e «jogo de cintura» do Windows 7.
Vamos lá ver daqui a uns tempos, quando começarem aparecer exploits e vírus a ver como ele se porta. Mais uma vez, excelente artigo Rui.