Vamos admiti-lo: uma tatuagem é porreira. Se não estivéssemos enclausurados pelo status quo, provavelmente metade da população teria uma (ok, talvez não). E não há nada como uma tatuagem à séria - não estou a falar daquelas coisitas tribais e quase imperceptíveis, que mais parecem ervas daninhas no braço, ou de palavras em árabe ou suposto japonês escondidas no rego. Falo de tatuagens de corpo inteiro, verdadeiras obras de arte, capazes de causar admiração e inveja.
O problema é que… bem, uma tatuagem com essa envergadura é algo quase irreversível, digam o que disserem os mais optimistas (tintas apagáveis para breve, dizem alguns). Imaginemos que decidiu tatuar nas suas costas um samurai enorme partindo cocos com a cachola, ou o Darth Vader jogando mini-golfe com o seu sabre de luz. E se depois, subitamente, num acesso de lucidez, se arrepende? Por vezes a imagem não se adequa ao seu corpo tão bem como podia imaginar. É um pouco como o casamento: um tipo pensa que vai ser uma coisa, e acaba por ser outra. Como resolver esse dilema angustiante?
Cauteloso como uma raposa, Loic Zimmerman, um conhecido artista gráfico, decidiu jogar pelo seguro. O que é que ele fez? Fez um scan em 3d do seu corpo, e depois usou esse modelo virtual de si mesmo para ver como é que uma tatuagem lhe ficaria. A vantagem disto é que pôde ver ao pormenor todos os contornos do trabalho de qualquer ângulo possível, e que, depois de criar o modelo, poderá usá-lo sempre para novas tatuagens. Por enquanto ainda não existem estúdios de tatuagem que usem este processo de criar um modelo 3d do cliente para fazerem previews do resultado final, mas esperemos que esse dia não esteja longe. Isso, e a tecnologia para prever como é que a nossa tatuagem estará daqui a 30 anos. E viva o futuro!


Artigo na Wired sobre Loic e a sua pequena aventura.
Guia visual do processo no blog de Loic.
O resultado final. E, já agora, confira a nova tatuagem do homem!




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